Egito: não vá agora Vou viajar: Egito: não vá agora

25 de janeiro de 2006

Egito: não vá agora

Se quiser um conselho, eu dou: não vá. O Egito é um país imperdível, e deve estar na lista de pendências de todo viajante que se preze, mas ele seguirá no mesmo lugar pelos próximos anos (assim espero), e o risco de ser esquartejado por um terrorista fanático no meio das férias não vale a empreitada.

Nós estivemos lá em 1997, e eu não me arrependo. Mas, confesso: se, antes de embarcar, eu tivesse a mais remota idéia das ameaças contra turistas estrangeiros, não teria ido. Não tínhamos nenhuma informação de que uma morte cruel fosse uma possibilidade prevista no roteiro, e olhe que compramos o pacote na Espanha e viajamos com um grupo de espanhóis.

Na Europa, os turistas costumam se informar sobre os potenciais perigos que enfrentarão no seu destino (e alguns até escolhem os locais em função de um inexplicável desejo por ser seqüestrados/assaltados/presos, como se essas desgraças não passassem de uma excursão pelo mundo real), e o próprio fato dos europeus terem o saudável hábito de ler diariamente noticias sobre a África e a Ásia nos fazia crer que, se nada havia saído no El País sobre o assunto nos últimos meses, era porque o Egito era tão seguro quanto as Ramblas de Barcelona (ou seja, era só manter a carteira bem junto ao corpo que tudo estaria bem).

A alegre segurança que nos provia a ignorância era tanta que uma das nossas piadas durante a viagem era sobre os militares de escopeta que o governo distribuía a esmo pelos locais turísticos. Eles eram tão indefectíveis quanto os obeliscos e as estátuas de Ramses II, e seguravam o armamento com uma incrível indolência. Eram parte da paisagem, sentados no alto das montanhas, sob o sol de 80 graus celsius (ponto em que os miolos de turista entram em ebulição) já às seis da manhã, e pareciam ter o poder de dormir de olhos abertos. "Quem eles acham que estão enganando?", ríamos nós, os incautos.
O que achávamos mais bizarro eram as caravanas de ônibus de turistas que saiam das cidades em direção ao deserto, onde está a maioria das atrações turísticas. A fila de veículos era precedida por uma viatura policial e, ao lado de cada motorista, viajava também um desses exemplares do Exército com uma senhora arma na mão. Nenhum estrangeiro entrava ou saia do perímetro urbano sem integrar uma dessas caravanas. Bom, em uma coisa estávamos certos: se algo acontecesse, aquela gente não iria adiantar pra nada.

Aconteceu uma semana depois de sairmos do país: um ônibus de alemães foi atacado em frente ao Museu Egípcio, no Cairo, e o saldo foi de dez mortos. Havíamos estado naquele mesmo lugar sete dias antes!

Algumas semanas depois, em novembro, o horror foi ainda maior: terroristas desceram das montanhas que circundam o templo de Hatshepsut, em Luxor, e martirizaram até a morte 58 turistas e quatro egípcios. A descrição que lemos nos jornais do que eles fizeram (a faca) com os estrangeiros foi paralisante. Havíamos estado ali poucas semanas antes. Podia ter sido conosco. E eles desceram daquelas mesmas montanhas sobre as quais fritavam os militares que ridicularizávamos.
No massacre no templo de Hatshepsut, os bandidos desceram das montanhas e literalmente estriparam os
turistas a golpes de machete, incluindo um menino inglês de cinco anos
A descrição do ataque ao templo de Hatshepsut está na Wikipedia. A do ataque ao ônibus no Cairo está no Independent.

Enfim, não vá agora.

3 comentários:

Anonymous disse...

nao gostei deste comentario sobre o egito... parece que todo mundo que vai pra la..... vai passar por terrorismo... bem desanimadora a pessoa que o escreveu....!!! deveriam tirar este comentario da internet,,,,

Anonymous disse...

Eu fui ao Egito em 2003 e acabei de voltar agora de lá (set 08). Realmente existe este medo de "terror" no ar, mas dizer pra nao ir lá agora nao faz sentido, pois em nenhum lugar se esta seguro hoje em dia, seja Nova York ou em Madri.... enfim, vale a pena o risco...
Dicas fresquinhas da minha viagem to postando agora no meu blog http://deiatatu.wordpress.com/category/egito/

Cella disse...

Luciane,
eu queria saber a sua opinião sobre o momento atual. Participarei de um evento no Cairo. A situação pode ser considerada normal?
Obrigada,
Marcella