Fazendo a mala - o que vestir no Egito Vou viajar: Fazendo a mala - o que vestir no Egito

20 de fevereiro de 2006

Fazendo a mala - o que vestir no Egito

Eu sou uma daquelas pessoas que acha que os turistas devem, sim, respeitar a cultura local. Se algo num país lhe desagrada a ponto de você não suportar, isso é um sinal de que não se deve ir. A ausência é o melhor protesto.

Eu só me vejo oculta sob uma burka, por exemplo, se for no papel de jornalista buscando informações relevantes. Não há nada como turista que me atraia a ponto de eu me submeter a uma coisa dessas.

No Egito, não é preciso esconder o corpo, mas também é conveniente não mostrar demais. Tanto para homens quanto para mulheres, o mais adequado e respeitoso é usar bermudas pelo joelho e camisetas com pelo menos um pouquinho de mangas (pode até ser sem manga, desde que não seja uma daquelas coisas cavadas até a cintura, que deveriam ser proibidas pela polícia do bom-gosto). Esse atuendo permite entrar na maioria dos locais, incluindo as mesquitas, e é fresquinho para os padrões ocidentais (se fôssemos inteligentes, compraríamos logo no primeiro dia uma djelabah, que é de algodão, tem mangas compridas e vai ate os pés, e mantém a temperatura do corpo).

Para visitar as mesquitas, leve na bolsa uma camisa de mangas compridas (foto: Sibahi)
Alguns locais mais conservadores sugerirão que você se cubra um pouco mais, mas para isso serve uma camisa de mangas compridas, que eu carregava na bolsa. Se você achar a idéia ofensiva, não entre e pronto. À exceção dos terroristas fanáticos, que querem espantar os turistas porque acham que eles estão corrompendo o país, ninguém vai criticar a sua escolha. Os egípcios respeitam bastante os estrangeiros, desde que sejam também respeitados.

Leve um chapéu. Não, não serve aquele boné que você ganhou da firma. Boné esquenta a cabeça e não protege nada. Eu levei um de palha com abas e foi a melhor sacada que eu tive na hora de arrumar as malas (bom, na verdade, ele foi na bagagem de mão, pra não amassar). Se você fizer questão de levar alguma coisa que entre na mala, certifique-se de que é arejado (palha, palha!) e faz sombra até os ombros.

Não vou nem mencionar o protetor solar. Leve um fator acima do que você costuma usar na praia, e não deixe para comprar lá. O mesmo vale para cosméticos e produtos de higiene pessoal: leve. Os mercados, como se pode imaginar, não são muito acessíveis nem muito variados em marcas ocidentais, e eu acho uma perda incrível de tempo ficar procurando condicionador leave-in antifrizz para cabelos cacheados quando se tem uma porção de múmias pra visitar. Deixe pra fazer isso em Miami, se conseguir um visto.

Se você for homem, leve um tênis usado e uma sandália bem protegida. E vários pares de meias de algodão pra absorver quantidades oceânicas de suor.

Se for mulher, leve o que se adequar ao seu próprio conceito de confortável. Se você acha que uma plataforma é perfeita para andar quilômetros na areia sob um calor de 45 graus durante três ou quatro horas, sem ter onde sentar e ainda por cima tendo que subir em pedras enormes, vá em frente. Meu único conselho radical é: evite calçados muito abertos, que não protejam os pés de cortes.

Eu, que sou uma mulherzinha muito de meia-tigela, levei tênis surrado e sandalhinhas baixas. Mas, como ainda assim sou mulher, levei uma sandália apresentável pra alguma ocasião especial. E rolou.
Ah, não esqueça do chapéu.

Leve alguma espécie de bolsa pra carregar a tralha no dia-a-dia. A escolha depende do que você acha indispensável e apresentável. Se uma pochete entra no seu guarda-roupa de viagem sem que você depois tenha vergonha de mostrar as fotos pros amigos, leve uma. De qualquer modo, o melhor é escolher sempre um modelo fácil de carregar. Eu prefiro a mochila.

Pra você ter uma idéia, o meu peso diário incluía: câmera fotográfica, câmera de vídeo (hoje dá pra ter as duas coisas num trambolho só, mas na época ainda não existia essa opção), baterias sobressalentes (coisa obsoleta, não?), garrafona de água (qualquer coisa com menos de 1,5 litro termina em uma hora), uma roupa de mangas compridas, coisinhas pra comer e um bom guia pesadão (pra ler no ônibus, a caminho do ponto turístico, e pra ler também na volta e conferir se a versão que o guia humano contava estava de acordo com a do guia-livro. Pois é, a gente pode tentar diminuir os objetos que carrega, mas a neurose é difícil de deixar em casa).

Pra quem achou absurdo carregar câmera de vídeo, apresento minhas explicações: eu também acho uma chatice filmar viagem, mas no Egito não dá pra resistir à tentação. Lá tem muita coisa pra rever depois.

Não esqueça do chapéu.

Se você também for fazer um "cruzeiro", como nós, haverá uma noite de festa à fantasia. Não leve nada além de maquiagem (para fazer olhos estilo "kajal" para as mulheres e bigodes fake para os homens). Os barcos alugam adereços, e é mais divertido comprar o resto nos mercados. Pode ser uma roupa de dançarina do ventre, ou uma djellaba incrementada que servirá de lembrança de viagem ou de presente para aquele tio que gosta de usar roupa de sheik no carnaval.

Leve roupa de banho, porque há piscina nos hotéis e nos barcos. Serve qualquer coisa que não deixe a bunda toda de fora. E, à maneira européia, não circule de biquíni ou sunga longe da piscina. Ponha uma camiseta E também um short para ir para o quarto ou ao restaurante. Assim como também ocorre nas cidades mediterrâneas (as mesmas onde o topless é regra e que permitem nudismo na praia), basta colocar o pé no calçadão pra comprar picolé para que o bom-gosto exija que se vista roupa minimamente urbana. 

Ah, e não se esqueça do chapéu.

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