Barcelona no Natal e Reveillón Vou viajar: Barcelona no Natal e Reveillón

8 de novembro de 2006

Barcelona no Natal e Reveillón


Eu gosto muito de passar as festas de final de ano fora de casa. É um belo momento para ver a cultura alheia em plena ação.


Levo essas oportunidades tão a sério que, no tempo em que moramos em Barcelona, nunca passei um Natal ou Ano-Novo na cidade. Como Barcelona era, naquele momento, a minha casa, e "as casas dos outros" (ou seja, outros países) estavam ali, tão à mão, como que se oferecendo para que eu as visitasse, viajei pro "exterior" em todos os anos.
O mais especial deles foi o que passamos em Portugal. Desfrutamos em Santarém, terra de Pedro Álvares Cabral, de um memorável almoço de Natal com a família da minha querida amiga Maria João. Comemos e bebemos como príncipes, e até hoje não sei se fomos tão bem tratados porque éramos amigos ou se aquela é mesmo a tradição da família. Suspeito que ambas as coisas.

Embora eu não tenha, portanto, passado um Natal em Barcelona, vivi bastante o clima de fim de ano na cidade. Chegamos à Catalunya às vésperas do Dia de Reis (6 de janeiro), que é na verdade a data mais importante dos feriados de final de ano. É nesse dia - e não no Natal - que as famílias trocam presentes e fazem os seus almoços festivos. E são os Reis Magos que trazem os brinquedos, e não o Papai Noel (é para eles, portanto, que os pequenos escrevem as suas cartinhas). Por isso, a criançada não perde no dia 5 a tradicional Cavalgada de Reis, quando Belchior, Baltazar e Gaspar desfilam pelas ruas em carros alegóricos distribuindo doces.


O evento dura toda a tarde, e os detalhes são riquíssimos: procedentes do Oriente, "Suas Majestades" chegam de barco, descem no porto, são recepcionados pelo prefeito e recebem a chave que abre todas as portas da cidade, o que permitirá que eles possam entrar em todas as casas e entregar os presentes das crianças.


Se você estiver em Barcelona (ou em qualquer outra cidade espanhola) nesse dia, e especialmente se você estiver com crianças, informe-se sobre o horário da "Cavalcata de Reis" (há várias, em muitos bairros, mas a principal é na Ciutat Vella) e não perca essa autêntica festa popular. Aqui, aliás, vale uma observação: não fique com medo do evento por ele ser gratuito e multitudinário. Os espanhóis estão acostumadíssimos a festas populares: todo mundo se comporta e se respeita.

O mesmo já não se pode afirmar com tanta segurança, infelizmente, sobre a festa de rua de Reveillón, que na região central da cidade se tornou uma comemoração de turistas. Como as famílias viajam nessa época do ano, voltando somente no final do feriado para o Dia de Reis, o que se vê nas zonas turísticas é o mal-falado botellón, ou seja, jovens bebendo sem controle, quebrando garrafas e fazendo arruaça. Isso não é regra, é claro, mas, em alguns locais como a Plaça Catalunya, é preciso ter cuidado com as garrafas sendo quebradas à meia-noite.


Esse é um problema que não atinge só Barcelona: está presente em boa parte da Europa. Nós, por exemplo, tomamos um belo susto no Champs Elysées, em Paris, em 1997. As garrafas de champanhe voavam sobre as nossas cabeças, todo mundo estava assustadoramente bêbado e os batedores de carteira estavam totalmente à vontade. Pra completar, o último trem do metrô, que era à 0h30min, não saiu porque ficou superlotado, não havia táxis e nós começamos 1998 caminhando uns cinco quilômetros até o hotel. Dando uma de Polyana, até que não deve ter sido mau presságio, porque caminhar em Paris sempre é uma bênção, e, como já fazia alguns anos que ninguém passava a mão na minha bunda, a minha auto-estima tomou uma volumosa injeção de ânimo.


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