9 dias no Tivoli Praia do Forte Ecoresort

Tiramos alguns dias de férias na Praia do Forte com um casal de amigos e seu filho de 4 anos, que vinham de Bruxelas. Como o plano era manter as crianças ocupadas enquanto os adultos descansavam o máximo possível, escolhemos o Tivoli Praia do Forte Ecoresort.

Nossos amigos europeus, como precisavam de cama adicional para somente uma criança, escolheram um quarto standard, que tem um sofazinho. Nós, que tínhamos que arrumar cama para uma menina de 3 anos e um menino de 5 e não gostávamos nem um pouco da idéia de passar 9 dias espremidos, enfrentamos uma maratona para conseguir escolher acomodação. Primeiro, perguntei a diversas agências de viagens (em visitas presenciais e por internet) e só obtive informações desencontradas sobre quais opções comportariam uma família de 4 pessoas. No fim, decidi escolher entre reservar dois quartos comunicantes ou uma das suítes mais cara do resort (a Master Spa), que eu tinha certeza de que dispunha de duas camas queen. Como a suíte cara custava muito menos do que dois quartos baratos, fomos de suíte.

Quarto Standard
Suíte Master Spa, com as duas camas queen
Foi uma ótima escolha. As Master Spa ficam bem afastadas da área principal do resort e são muito silenciosas. Nosso quarto, o 2011, ficava bem ao lado do Spa e da academia e dormíamos ouvindo as fontes de água que ficam atrás da cerca verde. Além disso, são ideais para famílias com crianças pequenas, porque ficam bem pertinho da segunda baby copa do resort, que é praticamente deserta. As baby copas, para quem não sabe, são pequenas cozinhas equipadas com microondas, liquidificador, espremedor de frutas, fogão e geladeira cheia de frutas frescas. Além disso, têm leite em pó (Ninho, Nan, Supra Soy, etc), suplementos (Neston, Mucilon, aveia, etc) e dizem ter uma sopa que eu nunca vi e desconfio que seja uma lenda. A copa é o céu de quem viaja com bebês e os meus filhos (graças a Deus!) já passaram dessa fase, mas a verdade é que a copa foi uma mão na roda na hora de fazer o leite-batido-com-frutas-tradicional-antes-de-dormir-aqui-em-casa.

Essa conveniência para crianças, no entanto, não se verificou no que eu considerava o ponto forte do Tivoli Ecoresort: a recreação/clube infantil. Vários dos meus amigos, os melhores guias do ramo e a maioria dos blogs confiáveis eram unânimes ao dizer que esse resort foi um dos pioneiros no ramo no Brasil e que era excelente. Tipo “deixe os diabinhos na mão dos monitores, encha a cara de caipirinha na piscina e volte só no fim do dia, que eles estarão seguros e felizes”. Nope. Nope. Nope. Fail
O Careta-Careta (clube infantil) foi a primeira coisa que eu visitei ao chegar. Preenchi a ficha do guri de 5 anos e já pendurei nele a pulseira que registrava nome, apartamento e cuja cor vermelha informava, de maneira berrante, que ele não tinha autorização para sair do clube sem os pais. A guria de 3 ia ter que nos agüentar: os monitores só aceitam crianças a partir de 4 anos. Se eu quisesse deixá-la no Careta-Careta, teria que contratar uma babá (R$ 13 reais a hora), o que acabamos fazendo por uma noite.

A coisa parecia excelente: três piscinas rasinhas, espaço amplo, salva-vidas (que nunca mais vi depois daquele dia), monitores simpáticos, várias atividades e um almoço especial para as crianças servido ao meio-dia, com feijão, arroz, bife, batata-frita e que se revelou o melhor negócio da temporada.

No primeiro dia, tratamos de habituar os pequenos ao local e aos monitores. Minha amiga, especialmente, queria ter certeza de que o seu menino, filho de pai espanhol, mãe portuguesa e alfabetizado em francês, entenderia “brasileiro” sem se sentir perdido. No segundo dia à tarde, lá fomos nós: meninos no Careta-Careta, meu marido com a pequena dormindo no quarto, nós duas na academia – que por sinal é maravilhosa – durante uma hora inteirinha!

Ao fim desse período – às 18h, hora em que o clube fecha até as 19h – me ofereci para buscar os meninos. Encontrei meu filho FORA do clube, meio perdido, resmungando e me procurando. Entrei e – surpresa! – ninguém tinha dado falta dele. Pior: reclamei, a monitora se desculpou, e eu disse que ia levar o filho da minha amiga. Coisa que fiz, sem problemas e sem que eu tivesse autorização para tirá-lo de lá. No dia seguinte, de manhã, foi a vez dele sair do clube em busca da mãe sem que ninguém se desse conta. A “distração” ocorreu pelo menos mais uma vez: eu estava com os meus, minha amiga avisou os monitores que sairia e o menino dela tentou fugir de novo. Eu, que estava observando, não disse nada para ver se os “tios” percebiam. Nada. Resgatei o menino.

Dito isso, preciso sublinhar que o clubinho é bem legal para as crianças maiores e para os pais que tenham saco de ficar por lá, já que os pequenos realmente se divertem. O regime que adotamos foi o de passar a manhã no Careta-Careta, dar almoço para eles lá mesmo (a comida é ótima para crianças) e depois lanchar na piscina, quando o dia passava a ser “adulto”, com eles a tiracolo. Foi muito bom. Enquanto a gente batia papo, eles curtiam outras coisas, como os micos que encantam aos hóspedes de todas as idades e que estão espalhados por toda a propriedade.

Répteis simpáticos passeiam pelos gramados
Atividades náuticas divertem as crianças

Por fim, preciso elogiar a comida e a tranquilidade. No restaurante principal, que serve café da manhã e jantar incluídos na diária, é impossível se aborrecer com a oferta e com a excelente qualidade. E, em plena Bahia, que pode às vezes ser bem barulhenta, o silêncio é uma bênção. Você só vai ouvir axé se tiver baixado no iPod!
Creio que à noite, no entanto, os quartos que ficam na região central devam sofrer bastante até a meia-noite, quando os shows diários terminam. Nada que tenha me perturbado lá no longinquo mundo de MasterSpalândia…

E, como nenhuma opinião é pétrea, vai aqui o link para o relato de uma outra viajeira que esteve no Tivoli Ecoresort na mesma época que a gente: a Malu.

Recebi hoje (28 de setembro) uma simpática ligação do diretor social do hotel, pedindo mais informações sobre os episódios das “fugas” das crianças do nosso grupo do clubinho Careta Careta. Um excelente exercício de transparência que, espero, resulte na melhoria desse que foi um dos poucos pontos falhos da nossa passagem por lá (e o único importante). Vou conferir na próxima estadia (porque voltarei, sem dúvida).

Luciane Aquino

Militante da economia digital, jornalista, viajadora, curiosa, leitora, tricoteira.

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